segunda-feira, 15 de abril de 2013

A derradeira liberdade

The sea's only gifts are harsh blows, and occasionally the chance to feel strong. Now I don't know much about the sea, but I do know that that's the way it is here. And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most ancient of human conditions. Facing the blind death stone alone, with nothing to help you but your hands and your own head.

Christopher MacCandless in Into The Wild

Vejo-a alta, um vulto branco
perante um mar azul, encrespado
de espuma e de raiva.

Vejo-a vacilante, mas enraizada
um abandono que ali a plantou
um desespero que ali a congelou
Lá, naquelas rochas frias de 
negras areias, de seixos redondos.

Vejo-a líquida, como barro que 
se desmancha e se molda,
numa transparência impossível
como água que cursa sincera,
mas inescrutável.

Vejo-a toda, e está nua.
Aquilo que a anima 
está à superfície.

E é uma rosa pequena,
que sobreviveu ao Inverno
e agoniza na Primavera.

Vejo-a e quero falar-lhe.
Quero que pare e se volte.
Para o que era, o que foi,
Para a vida que a espera.
Mas detenho-me, imóvel.

Vejo-a, e sinto a sua agonia.
Mas quero que escolha.
Quero-a livre e viva.

Vejo-a e é uma mulher.
Olho-a e é o medo.
Encontro-a e é a coragem.

Vejo-a e passei à frente.
E é a liberdade.


2 comentários:

  1. Mas que grande coincidência, no dia em que escreves-te este lindo poema revi o filme no canal Hollywood.Um filme para ver e rever.

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